A saúde de um lar em quarentena

9 de julho 2020

O que poderia ser uma cena tragicômica de filme, tornou-se uma realidade em diversas partes do mundo. Mães escondidas no banheiro, crianças pintando o sofá, adolescentes sequestrados pelas telas e uma reunião importante acontecendo na cozinha, com o pano de fundo uma janela, onde a vizinha está de biquíni pendurada na varanda quase imaginária. A intensificação dos conceitos de convivência e isolamento traz a preocupação sobre a saúde mental da humanidade que agora precisa ser entendida de dentro de nossas casas. 

Artigo escrito pela Médica Andressa Gulin

Se saúde é definida pelo “estado de completo bem-estar biopsicossocial” e não apenas pela “ausência de doença”, como a minha casa pode influenciar?  

Primeiro, para garantir o bem-estar social precisamos resgatar nossas casas e transformá-las em um lar. A socialização é vital para o ser humano que se desacostumou a conviver com seus entes mais próximos, pois estava conectado com seu universo “celular”. A palavra “Lar” significa “onde tem o fogo”, local que era utilizado desde os homens da caverna para se reunir com as pessoas mais próximas e trocar experiências. Criar um ambiente em casa que permita essa conexão é fundamental para exercermos a socialização consciente. Experimente tirar a TV dos quartos, cozinhar em família ou pelo menos garantir uma refeição onde a conversa não seja abafada por notícias ou posts de Instagram. Pequenos rituais como esses ajudam a criar uma conexão mais verdadeira entre as pessoas. 

bem-estar psicológico é muito sensível a esse mundo multitarefas, onde a ansiedade tira o sono de milhares de pessoas em todos os cantos do mundo. Nesse período de quarentena, criar ambientes que proporcionam foco e atenção para tarefas específicas são ferramentas importantes para garantir a sanidade mental. Determinar espaços separados da casa para trabalhar e estudar facilitam a concentração. A individualidade é tão importante quanto a socialização e garantir espaços de privacidade e criar ambientes que permitam uma conexão interior – contemplativa ou reflexiva – auxilia a manter a saúde mental em dia. Uma boa estratégia é tornar o quarto um local de relaxamento e retirar o celular do lado da cama – o seu despertador não precisa ser o celular e você vai dormir e acordar melhor. 

Atualmente, o bem-estar biológico está sensibilizado, fragilizado pelo medo de ter um corpo com fatores de risco e contaminado por um vírus onipresente. Criar ambientes que induzem hábitos saudáveis ajudam a manter o estado fisiológico do corpo em harmonia. Para as cidades frias, quartos e salas voltados para a face norte garantem ambientes com melhor conforto termo acústico e permitem manter janelas abertas e bem ventiladas ao longo do dia. O simples hábito de abrir a janela do quarto antes de olhar o celular, coloca seu corpo em conexão com a natureza e respeita o ciclo circadiano fisiológico. A luz do sol é fundamental para elevar a concentração de vitamina D no sangue e áreas com exposição a natureza estimula hormônios que trazem a sensação de bem-estar. Use e abuse das sacadas, jardins, floreiras ou plantas internas que trazem vida para dentro de casa. A atividade física diária é quase uma forma de agradecimento ao corpo. Procure um espaço para cuidar de você e aproveite parques e praças. 

As mães ainda vão se esconder no banheiro, os adolescentes ainda vão ser sequestrados pelas telas do celular, mas é preciso ter a consciência de que o investimento em um imóvel não se mede apenas pelo valor do m², O poder de espaços bem dimensionados, com uma arquitetura inteligente e a integração com o natural valoriza a coisa mais importante das nossas vidas: a nossa saúde e a saúde das nossas famílias.

Artigo assinado por: Andressa Gulin, Médica e sócia diretora da AG7.

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